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Surforeggae
28 · 07 de diciembre de 2003

Herman “Bongo Herman” Davis, um dos pioneiros na percussão Jamaicana, continua trabalhando 40 anos depois da sua estréia. Veja Entrevista!

Herman “Bongo Herman” Davis, um dos pioneiros na percussão Jamaicana, continua trabalhando 40 anos depois da sua estréia. Veja Entrevista!
Herman "Bongo Herman" Davis já fez muito “barulho” durante seus 40 anos no ramo da música Jamaicana. Naquele tempo, o percussionista trabalhou para os mais conhecidos produtores, como Derrick Harriott, Arthur “Duke” Reid e Leslie Kong. A percussão do clássico “Satta Massagana” do Abyssinians, é considerada a obra prima de Herman. As músicas foram gravadas no Studio One, em 1969, sendo lançadas, mas não na versão conhecida pela maioria. Posteriormente, a batida do Satta foi revivida com grande sucesso por diversos produtores, como Bobby Dixon, com Herman tocando novamente percussão. Herman gravou com “The Revolutionaries” no “Channel One Studio” nos anos 70. No final de 70 e início de 80, ele estava trabalhando com produtores como Henry “Junjo” Lawes e a banda Roots Radics, tocando para cantores como Barrington Levy, Frankie Paul, Linval Thompson, entre outros. Mas “Bongo Herman” não é apenas um percussionista. Ele também já cantou para produtores como Derrick Harriot e gravou um álbum DUB: Bongo Herman – Master Drummer, que é raríssimo e muito procurado. Além de tudo isso, Herman ainda atuou em 1978 no famosíssimo filme Rockers, e atualmente vive em turnês com Capleton, Rita Marley e outros. Com o advento da era do computador, Herman agora é requisitado por produtores de Dancehall. Ele já fez turnê e gravou com Capleton, além de ter contribuído no Álbum Communication de Bunny Wailer. Bongo recentemente foi entrevistado por Howard Campbell do Jornal Jamaica Observer:

A ENTREVISTA:

 Howard Campbell (HC): Ainda há muito espaço para percussionistas no Reggae. Você ainda tem muito trabalho a fazer? Bongo Herman (BH): Percussão na música, é como um motor para uma máquina. Uma vez que você é um músico profissional e respeitado, você pode fazer qualquer coisa. Desde tocar para várias bandas, fazer sessões no estúdio, ou trabalhar para si mesmo, criando novos sons e instrumentos.  HC: Quem te ensinou a tocar percussão ? E quando ? BH: Eu ensinei a mim mesmo, sabe ? Eu nasci com isso, Jah colocou isso em mim. Eu comecei a tocar no final da década de 50, com latas, potes, e tudo que produzia um som interessante.  HC: Você se lembra da primeira vez que esteve em um estúdio ? BH: Sim, foi com o Derrick Harriot. Ele tinha uma banda chamada “The Crystalites”, me chamou para assistir e logo após fui convidado para tocar com Justin Hinds & Dominoes, e com Jimmy Cliff.  HC: Que tipo de percussão você está utilizando ultimamente ? BH:Tamborim, sino de vacas, maracas, congas.  HC: Há muita competição no mercado ? BH: Sim. Hoje a Jamaica tem muitos percussionistas famosos, como Denzil Laing, “Sticky”, “Skully”, entre outros. Você tem que ser bom para arranjar um trabalho.  HC: Como você foi convidado para tocar no clássico “Satta Massagana” dos Abyssinians ? BH: Fui convidado pelo próprio Bernard Collins, vocalista e os Irmãos Manning. Eles me mostraram a música e pediram para que eu introduzisse percussão nela. Acho que eles gostaram do resultado.  HC: Que tipo de percussão você usou ? BH: tambores, tambores de Nyabinghi, congas. Uma vez que eu ouço o som, eu sei do que preciso.  HC: Há alguma música em especial que te traz boas lembranças ? BH: Sim. Drifter do Dennis Walks e Looking My Love do Barrington Levy. Nas duas você pode sentir o som vindo do meu coração.  HC: É difícil tocar ao vivo com uma banda ? BH: Não. Quando eu estou no palco toco cinco instrumentos ao mesmo tempo. Você apenas deve saber quando tocar e quando não tocar  HC: Você faz seus próprios instrumentos ? BH: Não, compro todos.  HC: Qual o máximo de instrumentos que você utilizou numa sessão ? BH: Muitos... Acho que uns 27 instrumentos já cheguei a utilizar para uma música.  HC: Qual a diferença entre gravar ao vivo e gravar com computadores ? BH: Bom, a coisa ao vivo vai de acordo com a batida do coração. A coisa “mecânica” tira um pouco sua criatividade. Antigamente quando queríamos gravar o som de uma garrafa, a levávamos para o estúdio e gravávamos. Hoje em dia, já existe um som pronto no computador. O computador faz direito, mas sem um percussionista criativo para operá-lo não adianta.

MAIS INFORMAÇÕES

 Fonte Original: Trechos retirados do Jornal Jamaica Observer.

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