36 · 2002年7月23日
Reggae muito além de Bob Marley!
Reggae muito
Trenchtown é logo ali, em Humaitá. Não, não deu a louca na geografia carioca e também não é Cesar Maia que está mudando o nome de mais uma rua. O gueto jamaicano, berço do reggae, se mudou para o Ballroom apenas em espírito, graças à trilha sonora da banda Reggae B. O grupo se apresentará na casa nas terças-feiras do mês de julho, sempre com a presença de convidados. E esta noite é Frejat que bate ponto por lá.
Nascido meio por acaso, num show em tributo a Bob Marley no ano passado, o Reggae B é uma espécie de All Star Band carioca, reunindo músicos experientes que conseguem um tempinho entre ensaios, shows e gravações de suas bandas principais para tocar reggae.
A formação traz Bi Ribeiro (Paralamas), Jean Pierre (Cidade Negra), João Fera (Paralamas), Cláudio Menezes (ex-AfroReggae), Marlon (Vitória Régia), Bidu Cordeiro (Paralamas), Ronaldo Silva (filho de Robertinho Silva), Valnei Ainê (Negril) e Gustavo Black Alien (ex-Planet Hemp). O encontro de tantas feras faz lembrar a Midnight Blues Band, projeto que juntava Frejat, Peninha, George Israel e outros no início da década de 90 - a banda fez shows antológico no Circo Voador e chegou a se apresentar no Hollywood Rock. A semelhança não é à toa.
"No início, a Midnight Blues Band foi realmente uma inspiração" - conta Bi. Repertório evita clássicos batidos. Os pontos em comum entre as duas bandas param por aí. A Midnight tocava clássicos do rock das décadas de 50 e 60. O Reggae B, além de se aventurar por outro ritmo, não é uma banda de clássicos. De Bob Marley, por exemplo, eles só tocam uma, "Get up, stand up". O restante do repertório traz canções menos conhecidas de nomes como Black Uhuru, Linton Kwesi Johnson e Peter Tosh.
"Queríamos tocar algo diferente daquele chamado "reggae raiz", porque parece que, para as bandas do Brasil, o reggae acaba aí. Tem muitas outras coisas ótimas que eu e os outros integrantes da banda estávamos com vontade de mostrar" - conta Bi.
O baixista fala com autoridade. Fã do ritmo desde os anos 70, ele foi um dos principais responsáveis pelo sotaque reggae do Paralamas do Sucesso. Em 89, Bi aproveitou uma folga de sua banda para fundar a Mighty Reggae Beat, outra banda cover de reggae. O rótulo de "banda cover", aliás, começa a ficar pequeno para a Reggae B. E não é só porque eles já estão tocando músicas inéditas, como "Pomar", de Nando Reis, e uma do Digão, ainda sem título - "a gente chama de ’ska’ apenas", conta Bi. O principal é aquilo que Bi qualifica de "sotaque Reggae B". "Nesse tempo em que estamos tocando juntos, construímos uma unidade tão grande que, naturalmente, as canções saem com a nossa cara" - avalia Bi.
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#36