Nestlé processa Etiópia em US$ 6 milhões! Confira!
Cerca de 15 milhões de pessoas passam fome no país. A Nestlé - a maior companhia de alimentos do mundo - quer que um dos países mais pobres
Cerca de 15 milhões de pessoas passam fome no país. A Nestlé - a maior companhia de alimentos do mundo - quer que um dos países mais pobres do mundo - a Etiópia - pague uma indenização de US$ 6 milhões ( R$ 21,6 milhões) pela nacionalização de uma de suas subsidiárias no país, durante o regime comunista em 1975. A ação judicial é para reparar os danos ocorridos com o grande plano de nacionalização do governo, quando quase todas empresas e propriedades de estrangeiros que atuavam no país foram confiscadas, sem o pagamento de qualquer tipo de compensação.
O processo da Nestlé acontece no momento em que o país enfrenta uma nova onda de seca e fome. O governo vem pedindo ajuda internacional, alegando que 15 milhões de pessoas estão passando fome no país. A Etiópia é um dos países mais pobres do mundo, com renda per capita de US $ 100 (R$ 360), por ano. Na Suíça, sede da fábrica da Nestlé, por exemplo, a renda per capita é de US$ 38.38 mil (R$ 138.16 mil).
Queda A arrecadação do governo etíope também sofreu uma grande queda com a baixa mundial do preço do café, um dos principais produtos de exportação do país. A ministra das Finanças e Desenvolvimento Econômico da Etiópia, Mulu Ketsela, disse à BBC que seu país precisa de todo o dinheiro que possui para salvar vidas, e que estaria pedindo à Nestlé que abandonasse o processo, em benefício das pessoas.
A Nestlé informou à BBC que era "claramente do interesse da continuidade dos fluxos de investimentos externos diretos (para o país) que conflitos desse tipo sejam resolvidos de acordo com as leis internacionais". "O sucesso das negociações vai reestabelecer a confiança dos investidores internacionais, o que será benéfico para o governo etíope", afirmou a empresa. A Nestlé informou ainda que as negociações estão acontecendo graças à vontade do governo da Etópia, como parte de um esforço para indenizar cerca de 50 empresas estrangeiras atingidas pelo processo de nacionalização ocorrido durante o governo comunista.
A empresa suíça informou ainda que o governo etíope vendeu a subsidiária da Schweisfurth em 1998 para uma empresa privada do país por US$ 8,7 milhões (R$ 31,31 milhões). De acordo com a organização não-governamental britânica Oxfam, o governo etíope ofereceu cerca de US$ 1,5 milhão (R$ 5,4 milhões) de indenização, mas a empresa estaria pressionando para que o governo chegasse aos US$ 6 milhões. A ONG diz que US$ 6 milhões dariam para abastecer 6 milhões de etíopes com água potável, ou construir 6,5 mil poços nas regiões secas do país.
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