Reggae · 17 de fevereiro de 2004
Gustavo Vespoli fala sobre a isenção das autoridades ante a vergonha do 6º Grito de Carnaval Reggae na Charles Muller!
Domingo, dia 15/02, rolou na Praça Charles Muller o 6º Grito de Carnaval Reggae (que nada tem a ver com o Carnareggae segundo Alfredo Rasta,

Domingo, dia 15/02, rolou na Praça Charles Muller o 6º Grito de Carnaval Reggae (que nada tem a ver com o Carnareggae segundo Alfredo Rasta, da Associação Cultural Reggae). O evento gratuito estava previsto para 30 mil pessoas, e duraria das 12:00 às 22:00. Porém a banda Tribo de Jah (última a se apresentar) se retirou do palco por volta das 21:00, devido a alguns “imprevistos”, imprevistos estes que nos deram a certeza que o público paulistano não está preparado para eventos como esse, e que o mesmo deve voltar ao lugar onde rolaram as outras 5 edições da festa, em São Miguel Paulista. Longe? Sim, porém com respeito em todos os lados.
Talvez realmente o maior “imprevisto” foi exatamente a falta de respeito, por parte da polícia e de muitas pessoas que foram ao show com o intuito de tumultuar aquela festa tão importante, e outras que realmente gostam de reggae e que levam consigo a filosofia de paz e união, tão clamada nesse gênero musical.
Essas pessoas teriam um ótimo show, pois a organização deu o máximo de si, além das bandas que nada ganharam para exibir o seu trabalho, que por sinal foi excelente, pois lá estavam algumas das melhores do reggae nacional. Seria um show e tanto, se as bandas não precisassem parar a cada música para chamar a atenção de pessoas que se espancavam entre si, aliás, eram muitos batendo em um só, provavelmente sem motivo algum. Também paravam para chamar atenção de um fulano que estava pixando na área onde ficam os equipamentos de som e iluminação.
Enfim, cada hora era algum ato de violência ou vandalismo que obrigava os vocalistas a pararem seus shows e explicar a filosofia reggae para essas pessoas, que com certeza nada tinham a ver com o evento, o momento ou a música. O próprio Alfredo Rasta foi ao palco inúmeras vezes, e tentou de todas as formas, mas em vâo, conter aqueles delinqüentes com palavras e mensagens de paz, porém as pessoas nem ao menos se envergonhavam quando eram apontadas pelo telão ou por quem falava. Quem estava no show pôde ouvir coisas assim: “Ei, você de camisa azul, para de brigar cara, vamos curtir o reggae, a polícia está te vendo no telão, isso só vai te prejudicar..” e o cara de camisa azul não estava nem ai, e continuava com seu ato infantil.
E a polícia? Tinha bastante lá, e nos encaravam como se fossemos os piores delinqüentes do mundo, porém não agiam com os verdadeiros delinqüentes, talvez eles até estivessem se divertindo com os tumultos, e felizes por verem que a imagem do reggae estava sendo denegrida. Muitas pessoas ainda os provocavam, como se quisessem piorar as coisas e ver a Praça Charles Muller virar um verdadeiro campo de batalha entre a polícia e nós, e TODOS nós, pois eles não estariam nem ai pra quem é do bem ou do mal.
O regueiro que foi pra Charles Miller não imaginava a maldade que estaria na mente de muitas pessoas ali. Pessoas que se juntavam em bando, roubavam aqueles que estavam sozinhos ou em poucos, e não só roubavam como espancavam pra valer. Ir lá pra frente, perto do palco, era praticamente um suicídio, pois lá rolavam as maiores confusões, e quem estava mais distante não podia nem ficar dançando e curtindo o som em paz, pois constantemente começava a correria, todo mundo correndo, a maioria, simplesmente por medo. Aos poucos aumentava o número de pessoas machucadas nos cantos, além dos desmaiados por excesso de bebidas.
Os casais não podiam aproveitar nenhum momento de tranqüilidade, pois quando parecia que havia acabado a “guerra”, alguém era espancado covardemente por mais de 20, e quando esse caia ao chão a covardia aumentava, pois as pessoas pisavam em sua cabeça além de chutá-lo até cansarem. Polícia??? Não, a polícia estava ocupada localizando os “maconheiros” e reprimindo-os. Se alguém fazia algo contra esses atos de covardia era as próprias pessoas (regueiros) que não acreditavam no que viam, e até se arriscavam tentando ajudar aquele que estava apanhando.
Uma cena bastante forte foi de um rapaz que estava de canto e foi surpreendido por uma galera, e ao tentar reagir ao roubo, apanhou de tudo quanto é jeito, quebraram até uma garrafa em sua cabeça.
Aquilo foi realmente horrível, seria assim em qualquer lugar, mas o fato de ser um grande show de reggae gratuito, fez com que as coisas ficassem mais tristes pros regueiros que foram até lá pra curtir, e que tinham a esperança que a má imagem associada ao reggae estava sendo enterrada. Não foi, pelo contrário, como disse o Zeider, os de “Espirito de porco” conseguiram estragar a festa dos de “Espirito de Jah”, e denegriram totalmente a imagem do reggae e do regueiro.
As bandas que tocaram de graça saíram com a sensação de mensagem não absorvida, os organizadores desolados pela selvageria que tomou conta da festa, e os verdadeiros regueiros foram embora com medo, e com a certeza que outro presente desses, os paulistanos não devem receber tão cedo, e se receberem, certamente será repugnado.
Categoria
#Reggae