
Review Surforeggae
Ziggy Marley prometeu uma reviravolta com "Fly Rasta". Procurou boas parcerias, convidou as irmãs Cedella e Sharon (Melody Makers) para os backing vocals, enfim, segundo ele, seria uma "reconexão com as raízes". Para começar, a co-produção ficou por conta de Dave Cooley, figura carimbada no cenário ROCK (isso mesmo, ROCK) independente. Nada contra outros ritmos, mas o disco é de reggae, certo? Então precisa soar como tal, ainda mais vindo de um herdeiro do legado de BOB MARLEY.
O que ouvimos é um disco que não cheira nem roots, nem modern roots, nem nada. Pitadas de rock, soul, funk, entre outros ritmos, meio que tiraram a identidade de "Fly Rasta", que até tem boas composições, mas com uma roupagem sem brilho e sem emoção, ingredientes primordiais do reggae e suas vertentes.
Músicas como "Fly Rasta" (com participação do veterano toaster U-roy), "You" e "I Get Up" talvez sejam as canções que mais fazem jus à proposta inicial de Ziggy Marley em fazer a tal "reconexão" com o público jamaicano, mas se auto-contradizendo, também disse que queria ao mesmo tempo alcançar novos públicos com o álbum. Poxa Ziggy, ou uma coisa ou outra! No fim, o resultado pendeu mais para a conquista de "novos públicos", com um disco de arranjos extremamente populares, com mensagens brandas e que em nada lembram a trajetória emotiva e impactante do reggae. Mas e daí, né Grammy? Afinal, ele é um MARLEY.
— Rangel Surforeggae
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